Os malefícios do
tabaco Os fumadores têm em
média menos 10 anos de vida do que os não fumadores. Isto porque as substâncias
absorvidas destroem alguns órgãos importantes ao mesmo tempo que fragilizam o
organismo em relação a vírus e a doenças oportunistas. A doença mais vulgar
associada ao consumo do tabaco é o cancro. Este pode ocorrer não apenas nos
pulmões, mas também na laringe, na faringe ou na boca. Os problemas
respiratórios também se agravam, podendo surgir bronquites crónicas ou
enfisemas, e ficando os fumadores mais susceptíveis de apanhar constipações.
|
|
O sistema
cardiovascular é igualmente afectado na medida em que tabagismo é, sem dúvida,
um risco cardíaco, favorecendo o aparecimento da Angina de Peito e do Enfarte do
Miocárdio. No nosso país o
consumo de tabaco atinge cerca de 20 por cento da população, com predomínio de
três homens e meio para cada mulher. Mas são as mulheres
que vieram manter os níveis do consumo, pois os homens presentemente fumam
menos; as mulheres, que até há cerca de trinta anos praticamente não fumavam,
começaram a partir de então a consumir cada vez mais tabaco. Mas estas são apenas
as mais conhecidas, pois a lista de problemas de saúde associados ao tabaco é
extensa. Mais alguns exemplos:
o envelhecimento precoce com o
aparecimento de rugas e cabelos brancos;
a tosse crónica também é bastante
vulgar entre os fumadores, e na maior parte dos casos indicia problemas
respiratórios mais graves;
o cheiro do tabaco é bastante
desagradável e bastante difícil de retirar das roupas e das casas, mas também
leva a uma diminuição das capacidades olfactivas;
os dentes também sofrem as
consequências do tabaco, enfraquecendo e ficando amarelados;
o fumo aumenta o risco de Doenças
Reumáticas;
o tabaco pode causar a infertilidade
tanto em homens como em mulheres, ocasionando ainda outras doenças do aparelho
reprodutor.
Esta extensa lista
de doenças contribui certamente para que um fumador pense duas vezes no seu
hábito e equacione os custos e as consequências para a saúde que ele provoca.
A própria
Organização Mundial de Saúde estima que mais de 100 milhões de pessoas irão
morrer devido ao consumo do tabaco nas duas primeiras décadas do sec.
XXI.
|
A causa de morte mais evitável que
se conhece O seu farmacêutico confirmará que
pode deixar de fumar com sucesso desde que esteja bem motivado para a
desabituação tabágica e convencido dos benefícios que irá usufruir com o
abandono do tabaco. E não deixará de lhe recordar que uma desabituação tabágica
será tanto mais eficaz quanto se inserir num programa de vida mais
saudável.
O hábito de fumar é adquirido,
regra geral, durante o período da adolescência e as explicações para a sua
aquisição estão hoje claramente identificadas, com destaque para a imitação do
adulto, o modo de inserção no grupo de pertença e o desejo de afirmação.
Adquirido o hábito, fica-se,
sobretudo, com dois tipos de dependência: a psicológica e a física, qualquer
delas um entrave sério para deixar de fumar. E deixar de fumar constitui um rol
de benefícios que ninguém deve ignorar. Assim, logo no primeiro ano de
abandono do fumo, dá-se uma melhoria da circulação sanguínea e da função
pulmonar, diminuindo para metade – comparativamente a um fumador – o risco da
doença cardiovascular. E, após 10 anos sem fumo, o risco
de aneurisma é tão baixo como para um não fumador; o risco de cancro é
substancialmente menor e, após 15 anos sem fumar, a esperança de vida é
equivalente à de um não fumador crónico. Apesar de serem conhecidos e
estarem profusamente difundidos os efeitos nocivos do tabagismo, o acento tónico
de promoção para a saúde, nos dias de hoje, aposta mais nas vantagens do seu
abandono que no uso de uma comunicação centrada nos malefícios do tabaco, que
deixa sobretudo a generalidade dos jovens insensíveis.
|
|
Pois bem, as observações que
adiante se alinham, partem do pressuposto de que o leitor é fumador ou tem, pelo
menos, um fumador na família e que o diálogo com o profissional de saúde (médico
ou farmacêutico) se orienta para conhecer os métodos que mais comprovadamente
contribuem para deixar de fumar. Vale a pena sublinhar que,
exactamente por não haver dois fumadores iguais, os métodos de escolha para a
desabituação são diferentes e devem ser seleccionados
individualmente. Pensando nas consultas de apoio ao
fumador, recorda-se que estão em funcionamento centros de desabituaçãotabágica
nos serviços de Pneumologia dos hospitais Pulido Valente e Santa Maria, em
Lisboa, nos hospitais da Universidade, em Coimbra e São João, no Porto.
Motivação pessoal, a chave do
sucesso A motivação é o ponto fulcral para
um abandono definitivo e qualquer tipo de ajuda sem motivação leva,
inevitavelmente, ao insucesso. As ajudas mais eficazes são as
pastilhas elásticas com nicotina e os pensos nicotínicos, vendidos
obrigatoriamente nas farmácias. Segundo a opinião dos peritos que trabalham no
programa "Europa contra o Cancro", os substitutos da nicotina apresentam bons
indicadores de sucesso. Como actuam? A cura desenvolve-se em duas
fases: primeiro, elimina-se o hábito de fumar e, depois, suprime-se
progressivamente a dependência da nicotina. Na primeira fase, o corpo continua a
receber a dose de nicotina a que está habituado, mas não os restantes
componentes nocivos do cigarro. Os substitutos são comercializados
sob a forma de emplastros (para colar na pele) e pastilhas elásticas. Estas não
fornecem nicotina constantemente, mas procuram substituir o desejo intermitente
de acender um cigarro. Com os emplastros a situação é diferente: fornecem
nicotina de forma contínua, e em quantidade suficiente para evitar que se tenha
vontade de fumar. Há, evidentemente, outros métodos
que o próprio Conselho de Prevenção do Tabagismo reconhece como credíveis, como
é o caso do "Método dos 5 Dias", das ajudas psicológicas com recurso a terapias
de grupo com ex-fumadores e as estratégias baseadas na aversão ao tabaco.
Pretende-se também deixar claro
que não há métodos infalíveis para deixar de fumar e o número de tentativas
também não conhece limite, nem o fumador se deve envergonhar por superar as
recaídas, devendo insistir continuamente na desabituação tabágica. Dialogar com o profissional de
saúde Chegou o momento de imaginar uma
conversa entre aquele que quer deixar de fumar e o profissional de
saúde. Em primeiro lugar, deve acreditar
que o abandono do tabagismo comporta benefícios a todos os níveis (saúde,
higiene, economia, conforto...) e não é por acaso que algumas das estratégias de
prevenção tabágica recorrem a consignas do tipo "tem tudo a ganhar em não
fumar". Segundo, convém informar-se quanto
aos métodos existentes e sua complementaridade (alimentação, ocupação de tempos
livres desincentivadores do hábito de fumar, a vantagem, na fase inicial, em
evitar ambientes de fumadores, entre outros). Terceiro, e até para confirmar a
natureza das estruturas de apoio a quem decide deixar de fumar, deve contactar o
Conselho de Prevenção do Tabagismo (Av. dos EUA, 53 D - 4º, 1750-165 Lisboa,
Telef: 21 846 42 19) onde pode solicitar material pedagógico-didáctico, caso do
guia de distribuição gratuita "O melhor é não fumar". Quarto, pela acessibilidade e pelo
facto de a farmácia ser, por definição, um espaço onde não se fuma, é
recomendada uma conversa com o farmacêutico, no sentido de este lhe explicar
mais detalhadamente os benefícios e as técnicas que pode utilizar (existe, na
sua farmácia, um desdobrável de distribuição gratuita, intitulado "Deixe de
fumar, defenda a sua saúde e a dos outros"), podendo proceder à apresentação e
exemplificação desses mesmos métodos e técnicas. Certamente que o seu farmacêutico
lhe confirmará que pode deixar de fumar com sucesso, desde que esteja bem
motivado para a desabituação tabágica e convencido dos benefícios que irá
usufruir com o abandono do tabaco. E seguramente que este não deixará
de lhe recordar que uma desabituação tabágica será tanto mais eficaz quanto se
inserir num programa de vida mais saudável.
|
|
|
A inteligência e o
tabaco Jean Nicot o
responsável pelo nome atribuído a uma das substâncias activas do tabaco: a
nicotina.
Mas de facto a
nicotina é apenas um dos produtos nefastos para a saúde, a que se expõe quem
fuma ou quem vive na vizinhança dum fumador. Ao consumir-se, o tabaco produz
monóxido de carbono e alcatrão, que ajudam às suas acções prejudiciais no
organismo humano.
São estes três agentes
que provocam a dependência física e psicológica que se traduz em irritabilidade,
redução da memória, da inteligência, da concentração, da atenção, do interesse
sexual.
|
|
Sem fumar, o
dependente do tabaco "não funciona" e por isso atribui erradamente ao tabaco um
efeito estimulante, pelo menos intelectual.
Na realidade ao
saturar novamente os receptores das células cerebrais com nicotina, os sinais de
privação do tabaco desaparecem e é possível recuperar a estabilidade emocional e
voltar a usar as funções intelectuais.
Quero contudo
esclarecer que o fumador, ao fumar, por causa do monóxido de carbono que se
produz na combustão do tabaco, diminui a capacidade do sangue de conduzir
oxigénio às células.
No nosso organismo as
células mais sensíveis à diminuição do fornecimento do oxigénio, são as células
do cérebro. Deste modo se o fumador recupera as capacidades intelectuais, estas
serão muito provavelmente menores do que aquelas de que disporia se usasse o
mesmo cérebro que a natureza lhe deu, convenientemente oxigenado.
O que lhe quero
transmitir em síntese nesta crónica, é que se é fumador, poderá aumentar o seu
capital intelectual… se tiver força de vontade para deixar de fumar.
|
|
|
Fumar ou não... A
opção é de cada um Quando lemos e
ouvimos que em vários países do mundo se publicam leis contra os fumadores,
quando nos locais de trabalho, restaurantes, lugares públicos, os fumadores são
descriminados e punidos, lembro-me da opinião de um colega e amigo, infelizmente
já falecido, que noutro contexto, dizia que a "lei da zurzidela" se dava mal com
o nosso Povo.
De facto proibir,
zurzir, discriminar… é um convite à revolta, à reacção contrária à que a
proibição pretende impor. Por defeito ou qualidade somos assim.
|
|
Bastaria isto para que
as campanhas contra o tabaco devessem evitar a "zurzidela", mas outras razões
não menos importantes como o respeito pela liberdade individual, ou o paradoxo
de não existirem leis rígidas, (ou existirem mas não serem cumpridas) em relação
à poluição maciça, não só do ar respirável, como de todo o ambiente em que vamos
conseguindo viver, levam-me a considerar que a campanha anti-tabáquica deverá
apenas veicular a informação de como fumar faz mal.
A decisão ficará com
cada um!
Por este motivo venho
recordar que todos nós nascemos com uma carga genética que nos marca e que
influi muito ou determina mesmo o aparecimento de várias doenças. A diabetes, a
hipertensão arterial, o excesso de peso… são exemplos disso. Algumas medidas
comportamentais poderão modificar o início ou gravidade dessas doenças, mas é
muito difícil ou impossível impedir que se manifestem em maior ou menor grau.
O médico ao tratar a
diabetes, por exemplo, actua no sentido de prevenir as conhecidas complicações
da doença (insuficiência renal, baixa de visão, alterações dos nervos
periféricos, doenças do coração, etc.). Na verdade o médico propõe com a
medicação e a dieta, a prevenção possível das complicações de uma doença
impossível de evitar.
Ora bem, a mensagem
que quero deixar-lhe meu caro fumador, é que de todas as doenças as que são mais
fáceis de evitar quer no seu aparecimento, quer no agravamento progressivo que
tantas vezes arrasta graves incapacidades físicas e intelectuais, são as doenças
provocadas pelo tabaco. As " doenças do tabaco" são as mais eficazmente
evitáveis de todas as doenças que enchem os tratados de medicina… porque para
tanto é suficiente deixar de fumar!
|
|
|
O Tabaco, a mãe e o
bebé Nos últimos 30 anos
assistiu-se a uma mudança de hábitos nas mulheres. Até aos anos 60, fumar, era
em comportamento quase exclusivo do homem. Algumas décadas antes era pouco
aceite socialmente, que uma senhora fumasse.
A partir da década de
70 os homens começaram a fumar menos e as mulheres passaram a fumar mais. Como
seria de esperar a incidência de algumas doenças aumentou nas mulheres, como o
cancro do pulmão.
Mas o facto de a
mulher jovem fumar criou um outro problema que transcende a fumadora. Refiro-me
à mulher que fuma durante a gravidez. De facto fumar não faz só mal à futura
mãe, tornando-a mais propensa à bronquite crónica, à sinusite, à dispepsia
obrigando-a a tomar remédios potencialmente perigosos para o desenvolvimento do
feto e reduzindo a sua capacidade física que deve manter-se alta durante toda a
gravidez e em particular no esforço do parto.
A nicotina do sangue
da mãe passa ao seu bebé e vai provocar-lhe alterações conhecidas. Quando a mãe
está a fumar o coração do bebé bate mais depressa e o sangue que o alimenta e
lhe conduz o oxigénio, leva alcatrão, monóxido de carbono e menos oxigénio. Não
se sabe ainda a totalidade dos efeitos que estes factos provocarão no
desenvolvimento psico-motor da criança e na susceptibilidade futura para
determinado tipo de limitações ou de doenças.
O que se sabe com
segurança é que as mães fumadoras têm maior risco de ver precocemente
interrompida a sua gravidez ou de terem um parto antes do termo.
|
|
Sabe-se também que os
bebés das fumadoras nascem com menos peso e que se atrasam no crescimento, se a
mãe fumar durante o período de aleitamento.
É conhecido que
algumas doenças alérgicas são mais frequentes nos filhos das mulheres que fumam
durante a gravidez, com o eczema alérgico.
Também o tabaco parece
ser responsável por problemas de comportamento nos 3 primeiros anos de
desenvolvimento da criança (agressividade, oposição, agitação).
|
|
|
Arranjar forças para deixar de
fumar Não se consegue com um simples
estalar dos dedos. Deixar de fumar exige preparação, investimento e, sobretudo,
uma forte motivação. Não recomeçar é o maior desafio. De facto, durante o
primeiro ano, nove em cada dez pessoas sucumbem de novo aos apelos do cigarro.
Mas, se é verdade que não é fácil deixar de fumar, também é verdade que não é
impossível. O mais difícil é decidir que se vai deixar de fumar. Mas logo que se
aceita a ideia entra-se no bom caminho. Parar definitivamente exige uma
grande coragem. Podem-se distinguir três espécies de fumadores. O impenitente
fuma por prazer. O compulsivo para preencher lacunas de qualquer ordem. E o
fumador-vítima, que está consciente dos riscos que a sua saúde corre e se sente
culpabilizado. Embora o primeiro seja um mau candidato à interrupção do vício,
qualquer fumador pode reaprender a viver sem tabaco. As explicações do fumador podem
ser múltiplas: o stress, a falta de coragem, a necessidade de fumar para ser
capaz de trabalhar ou o cigarro para ganhar confiança em público são apenas
algumas das justificações mais ouvidas.
|
|
Primeiros passos Para 90 por cento dos fumadores, a
associação tabaco/bem-estar é sentida muito rapidamente e torna-se um reflexo
comportamental. A esta dependência psicológica junta-se a necessidade
fisiológica: o corpo reclama a sua dose. É esta última necessidade que explica
por que se fuma muito mais do que aquilo que realmente se deseja. Para determinar a verdadeira
dependência, o melhor será fazer uma tentativa durante um dia, se for possível
uma semana, e constatar quando é que o cigarro lhe faz mais falta: de manhã, ao
levantar, após o café...? E em que estado se encontra: irritável, ansioso,
liberto...? Desta forma, será possível saber se é necessário recorrer a um
auxiliar para deixar de fumar. Em caso afirmativo, o próximo passo é escolher um
dos numerosos métodos existentes. Para fazer uma boa escolha,
compare as experiências de antigos fumadores. Pode utilizar substitutos
nicotínicos como as gomas de mascar ou os patches transdérmicos para diminuir os
efeitos da dependência fisiológica. Mas também pode optar por métodos não
medicamentosos como a relaxação para combater a ansiedade excessiva.
O mito do aumento de
peso Se tem medo de engordar, é sempre
possível consultar um nutricionista. No entanto, o aumento de peso na sequência
da interrupção do hábito de fumar não é assim tão importante como geralmente se
pensa; em média 2,8 quilos para os homens e 3,8 para as mulheres. Nada que não
seja possível recuperar com facilidade. Há duas maneiras de evitar o
aumento de peso. Uma delas é fazer um regime antes de deixar de fumar, o que é
preconizado por vários especialistas. A outra é praticar desporto e vigiar a
alimentação, evitando as gorduras, consumindo mais frutos e bebendo muita água.
Mas convém não exagerar: está a deixar de fumar, não de comer. O que importa é querer Uma coisa é certa: aquilo que é
mais necessário é a motivação. É inútil tentar abandonar o tabaco se não se tem
realmente vontade de o fazer ou se não se sabe porquê. Por outro lado, quem
estiver a viver um momento difícil - luto, depressão, desgosto amoroso - o
melhor será deixar a experiência para outra altura. Importante durante o difícil
período inicial, que pode durar de um mês a um ano, é encontrar um paliativo
para o tabaco. Uma coisa qualquer que preencha o vazio deixado pela ausência do
cigarro. Quando o desejo é muito forte,
torna-se necessário focar a atenção noutra coisa: por exemplo, contar até 100,
respirar profundamente, mascar uma pastilha. Tudo isto para descondicionar o
reflexo-cigarro. Cada um deverá encontrar as soluções mais adequadas. Ninguém
disse que é fácil, mas também ninguém disse que é impossível. A nocividade do tabaco Os malefícios do tabaco
explicam-se em grande parte pelas minúsculas gotas de alcatrão nele incluídas.
Este alcatrão contem substâncias cancerígenas e co-cancerígenas: isto é, tanto
provoca o cancro como acelera a produção das células cancerosas. O fumo é também composto por 2 a 6
por cento de monóxido de carbono, um gás tóxico que dificulta o transporte e
utilização do oxigénio. Estes compostos irritantes alteram
o funcionamento dos pêlos microscópicos que libertam os pulmões das partículas
indesejáveis. Perturbando o equilíbrio pulmonar, o fumo do tabaco torna-o mais
susceptível às doenças respiratórias. Quanto mais fumar pior O risco de cancro do pulmão
aumenta com o número de cigarros fumados por dia, com o seu teor em alcatrão e
nicotina e com o número de anos de tabagismo. É possível avaliar a probabilidade
de cancro bronqueopulmonar a partir do número de maços consumidos por ano.
Basta multiplicar a quantidade de
maços fumados por dia por metade do número de anos em que se fumou. Os que fumam um maço por dia
durante 40 anos, ou dois por dia durante 20 anos, são considerados como o grupo
de risco máximo. Este grupo expõe-se a um risco de
cancro do pulmão vinte vezes superior quando comparado com o dos não-fumadores.
E quanto mais se fuma, mais esse
risco aumenta. Até mesmo os pequenos fumadores, que se limitam a menos de dez
cigarros por dia, vêm o risco de contrair cancro pulmonar multiplicado por
cinco. As mulheres são cada vez mais
atingidas Os homens são ainda mais atingidos
do que as mulheres... por enquanto. No total dos óbitos masculinos, 20 por cento
devem-se ao tabagismo. Estes números são ainda muito inferiores para as
mulheres. No entanto, a população de fumadores está a feminizar-se muito
rapidamente e os casos de cancro do pulmão aumentam muito rapidamente entre as
mulheres. Para tentar limitar as
consequências, muitas pessoas estão a consumir cigarros light. Mas o seu uso é
muito controverso. De facto, o fumador adapta espontaneamente a sua maneira de
fumar aos cigarros que utiliza, compensando a falta de nicotina com inalações
mais profundas e mais frequentes. Acontece que, assim, acaba por fumar mais
cigarros. Dez anos para diminuir os
riscos Fumar exclusivamente cachimbo ou
charuto também tem os seus inconvenientes: é certo que o risco de cancro
pulmonar é menor, mas aumentam os casos de cancro da garganta ou da boca.
Não vale a pena procurar uma
maneira de fumar sem perigo, porque é coisa que não existe. Fumar é sempre
nocivo. Só deixar de fumar oferece
vantagens. Além do ex-fumador reencontrar as suas capacidades respiratórias, o
risco de contrair cancro diminui, lenta mas seguramente com o decorrer do tempo.
Considera-se geralmente que para
os grandes fumadores o risco persiste durante os primeiros anos, para se
amenizar e tender a ser idêntico ao dos não-fumadores ao cabo de dez anos. Entre
os pequenos fumadores, o risco diminui muito mais rapidamente. Os grande fumadores devem, a
partir dos 40 anos, fazer uma radiografia pulmonar de controlo de doze em doze
meses. Mas o fumador deve manter-se vigilante quanto a eventuais sinais de
alarme, o mesmo acontecendo, durante dez anos, com os ex-fumadores. A vigilância
é fundamental. O tabagismo
passivo
Hoje já não é possível continuar a
afirmar que "se fumo, o problema é meu". Se as consequências do fumo sobre as
pessoas que rodeiam o fumador são menos nocivas do que as do tabagismo activo,
são no entanto de considerar. E especialmente sobre as pessoas já doentes, como
os asmáticos e os insuficientes respiratórios ou coronários. Em caso de exposição intensa e
regular, mesmo os não-fumadores podem vir a sofrer complicações várias.
Milhares de pessoas são anualmente
atingidas por cancro brônquico devido ao fumo dos outros. Nos casais de fumadores adultos o
risco de cancro do pulmão é multiplicado por dois. Vítimas indefesas Nas crianças, as consequências do
tabagismo são tais que é fortemente recomendado às mães que parem de fumar, pelo
menos durante a gravidez e período de aleitamento. Os bebés vítimas de tabagismo
passivo sofrem de um peso inferior na altura do nascimento, de um
desenvolvimento pulmonar mais reduzido e mostram-se mais susceptíveis a morte
súbita. Após o nascimento, os riscos de
otites e de infecções das vias respiratórias aumentam, ao mesmo tempo que a asma
se pode agravar e até tornar-se crónica. A grávida, se não for capaz de
abandonar totalmente o tabaco, não deverá ultrapassar os cinco cigarros diários.
Depois do nascimento, os pais
devem evitar fumar nas salas onde se encontram os filhos. Mas o melhor seria
mesmo deixar de fumar. Além de benefícios imediatos para a saúde dos miúdos,
está provado que os filhos dos fumadores, mais tarde, fumam muito mais do que os
filhos dos não-fumadores. O TABACO E O CANCRO: OS
VERDADEIROS RISCOS O cancro do pulmão é uma doença
paradoxal: extremamente grave, poderia muito bem ser evitada na maioria dos
casos. Bastava deixar de fumar ou, melhor ainda, nunca ter começado.
Um fumador perde oito anos de vida
em relação a um não-fumador. Na verdade, 70 por cento dos não-fumadores
ultrapassam os 70 anos, o que só acontece a 46 por cento dos fumadores.
O tabaco figura à cabeça de todas
as causas conhecidas de cancro. É responsável por 90 por cento dos casos de
cancro do pulmão, a primeira causa de morte por cancro nos homens e a segunda na
mulher, depois do cancro da mama. Outros factores ambientais podem
também ser incriminados pelos cancros brônquicos como o amianto, o ferro, o
níquel ou a proximidade de matérias radioactivas. Quando associado a estes
produtos, o tabaco actua dramaticamente, multiplicando-lhes o efeito
cancerígeno. SINAIS DE ALARME Tosse inabitual e
persistente Sangue na expectoração Dores no tórax Dificuldades
respiratórias Estes sinais não são específicos
do cancro, mas exigem uma consulta médica NÃO SÓ O PULMÃO Se o cancro do pulmão é o primeiro
dos tumores ligados ao tabagismo, não é o único. O tabaco é também um dos
principais factores responsáveis pelos cancros da boca, da garganta e do
esófago. Este risco é ainda aumentado pelo consumo do álcool, mesmo quando
moderado. Fumar está também na origem dos cancros do aparelho urinário, pois os
alcatrões tabágicos cancerígenos são armazenados na bexiga antes de serem
eliminados na urina. As doenças cardiovasculares e as doenças respiratórias
crónicas são igualmente patologias directamente ligadas ao tabagismo.
Nas mulheres, a associação tabaco
e pílula contraceptiva é fortemente desaconselhada, pois multiplica por dez o
risco de enfarte
|