BASTAM 30 MINUTOS!

BASTAM 30 MINUTOS!
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Estudos apresentados no XVI Congresso Mundial de Cardiologia, que recentemente teve lugar em Buenos Aires, mostraram que bastam 30 minutos de exposição ao fumo do tabaco para que os não fumadores sofram alterações nas suas artérias que aumentam o risco cardíaco.
Quem está exposto habitualmente ao tabagismo passivo tem um risco cardiovascular quase tão elevado como o dos fumadores: – os não fumadores que inalam fumo alheio experimentam um aumento de 30% no seu risco de doença coronária. Mas o mais alarmante é a velocidade com que o tabagismo passivo lesa o sistema cardiovascular.
“Sabemos que apenas trinta minutos de exposição ao fumo do tabaco alheio é suficiente para observar mudanças na função das artérias dos não fumadores”, afirma o Dr. Joaquín Barnoya, director de investigação da Unidade de Cirurgia Cardiovascular da Guatemala e Professor da Universidade Washington, em St. Louis (EUA). “O fumo do tabaco em segunda mão produz um dano directo ao endotélio (membrana interna dos vasos sanguíneos), responsável pela dilatação e contracção das artérias.”
Vários estudos mostraram que o tabagismo passivo causa lesões cardiovasculares equivalentes entre 80 a 90% às lesões de que sofrem os fumadores.
Daí a importância dos ambientes livres de fumo. “As novas evidências estão em consonância com o já conhecido e ajudam a compreender a diminuição rápida da doença cardíaca depois da implementação de ambientes livres de fumo de tabaco.”
“ Na Itália, Califórnia (EUA) e noutros lugares do mundo, que implementaram ambientes livres de fumo, observou-se que a mortalidade e incidência de enfartes do miocárdio diminuiu rapidamente”, sublinha o Dr. Joaquín Barnoya.
Resta saber se em Portugal, onde a lei vigora há cerca de um ano, os resultados são semelhantes. Mas tenhamos esperança de que assim seja.
Já desde o início da sua publicação (1942) que a Saúde e Lar vem alertando os seus Leitores para estes perigos. É por isso, para nós, muito compensador constatar que, cada vez mais, a Ciência nos vai dando razão, embora um pouco a conta-gotas... Mas mais vale tarde do que nunca!

Notícias Médicas/S&L

O Tempo Puxa O Gatilho


Este blog, tem como objectivo contribuir: informar, sensibilizar e motivar ao abandono do tabaco. Esta é uma iniciativa que vem da experiência que é possível Deixar de Fumar e que o Tabaco Mata.

Um Pouco de História
O uso de plantas para mascar ou fumar não é novo. Esses hábitos existiam séculos antes de Cristóvão Colombo ter chegado ao Novo Mundo. Colombo viu que os indígenas mastigavam folhas secas de uma planta que ele desconhecia, que era o tabaco. E foi ele, Colombo, que trouxe para a Europa esse costume. Outros povos, como os maias, por exemplo, tinham hábitos semelhantes, usando uma mistura enrolada em folhas de milho.
Razões diversas podem ter conduzido certos povos ao uso do tabaco. Entre elas, salientamos as razões místicas – os sacerdotes afirmavam que as folhas do tabaco permitiam ligar o Céu à Terra; as ornamentais – o tabaco era cultivado como planta ornamental nas cortes de Portugal e Espanha; as sanitárias – pensava-se, nesse tempo, que o tabaco acalmava as dores de cabeça, e Jean Nicot de Villemaire aconselhava Catarina de Médicis, rainha de França, a usar uma cocção de folhas de tabaco para tratar as suas frequentes enxaquecas. Linneu, o célebre naturalista sueco, inspirou-se no nome de Nicot, para dar o nome latino ao tabaco (Nicotina tabacum); as hedonistas – as sensações proporcionadas pelo tabaco podem ser agradáveis e induzem a uma utilização mais frequente. Há ainda razões de ordem psicológica e física, que analisaremos mais adiante.

De então para cá, o uso do tabaco percorreu um longo caminho, deixando de ser um ‘luxo’ dos senhores ricos e dos dignitários, para se tornar um dos hábitos mais vulgarizados (e destruidores) do planeta.

Origem de um Hábito
Apesar de todos os avisos e conselhos, hoje começa-se a fumar cada vez mais cedo. É frequente vermos crianças de 6, 7, 8 anos a fumar. Durante a sua vida escolar, a criança segue uma de duas vias: ou se torna um fumador, ou se torna um oponente desse hábito. As razões que levam uma criança a querer experimentar o tabaco são de variada ordem, mas estão quase todas relacionadas com o exemplo que vêem nos pais e com o uso que dele fazem os seus amigos e companheiros. Por vezes, começa-se a fumar só para se ser aceite no grupo.
Por outro lado, o uso do tabaco é, muitas vezes, encarado como uma forma de combater o stresse, de ajudar na concentração, um modo de parecer mais adulto ou mais seguro de si, ou até, como um meio de vencer emoções fortes. Psicologicamente, o cigarro pode ser visto por quem o utiliza como um símbolo de liberdade (“fumo porque sou livre”, especialmente entre mulheres); de autonomia (“decidi fumar, é um prazer que dou a mim mesmo de vez em quando...”).
A verdade é que o uso se vai tornando cada vez mais frequente e começa a ser quase indispensável para essas pessoas, em certas circunstâncias. Fumar deixa, então, de ser casual e esporádico para se tornar um hábito.
Com a continuação, e devido à acção das substâncias químicas presentes no tabaco (ver quadro abaixo), cria-se uma dependência psicológica e emocional que leva ao vício. O tabaco passa a ser uma “bengala” que se procura como primeiro apoio e sem a qual nada se consegue fazer. E essa dependência, esse vício, pode ser tão forte que, mesmo que não haja dinheiro para comer, a aquisição de tabaco passa à frente de outras necessidades pessoais e familiares.

ALGUMAS SUBSTÂNCIAS PRESENTES NO CIGARRO
• Acetona (solvente)
• Ácido cianídrico (câmaras de gás)
• Amoníaco (detergente)
• Arsénico (veneno poderoso)
• Benzopireno (cancerígeno)
• Butano (gás tóxico)
• Cádmio (usado em baterias)
• Chumbo (metal pesado, tóxico)
• Cloreto de vinilo (PVC, altamente tóxico)
• DDT (insecticida)
• Dimetilnitrosamina (tóxico, cancerígeno)
• Dioxinas (cancerígeno)
• Fenol (corrosivo)
• Metanol (carburante para foguetes)
• Monóxido de carbono (gases de escape)
• Naftalina (anti-traças)
• Naftilamina (cancerígeno)
• Polónio 210 (elemento radioactivo)
• Toluidina (cancerígeno, irritante)
• Tolueno (solvente industrial)
• Uretano (endurecedor de vernizes, tóxico)missing image file

O que se Inala ao Fumar
Resumindo, poderíamos dividir os produtos existentes no fumo do tabaco em quatro tipos:
1. Os cancerígenos absolutos, ou seja, as substâncias que são cancerígenas em si mesmas, cuja acumulação no organismo pode provocar um tumor maligno.
2. Os co-cancerígenos, quer dizer, as substâncias que, por si só, não são cancerígenas, mas que podem acelerar a produção de uma neoplasia iniciada por outros factores.

3. As substâncias irritantes, que provocam tosse, contracções brônquicas, além de impedirem os movimentos dos cílios do epitélio respiratório (que estimulam a secreção de mucosidade e a sua eliminação, um sistema de protecção), e de prejudicarem outros processos enzimáticos.
4. Outros tóxicos, em particular a nicotina e o monóxido de carbono. A nicotina – um alcalóide do mesmo tipo da cocaína – (2 mg em cada cigarro) actua sobre o sistema nervoso (tem um papel importante na manutenção do hábito de fumar e na viciação) e sobre o sistema cardiovascular (aumentando a pressão arterial, o ritmo cardíaco, a força de contracção do coração, o fluxo nas artérias coronárias). Tem uma acção pronunciada sobre as plaquetas sanguíneas (o que pode provocar a formação de trombos, ou coágulos (trombose) e sobre a acumulação de ácidos gordos na corrente sanguínea (favorecendo o aparecimento da arteriosclerose). O monóxido de carbono é extremamente venenoso e existe em quantidade apreciável no fumo do tabaco. A sua acção está intimamente ligada à capacidade de fixação do oxigénio, por parte das células vermelhas do sangue (hemoglobina). Dado que estas células têm uma afinidade pelo monóxido de carbono 210 vezes maior do que pelo oxigénio, quando se inala o fumo do tabaco, a hemoglobina perde a sua capacidade de fixação do oxigénio, o que provoca perturbações respiratórias (cansaço, dificuldade em respirar), circulatórias (aumenta a quantidade de hemoglobina em circulação) e no sistema nervoso (que recebe uma quantidade insuficiente de oxigénio).

Como e Onde Actuam Estas Substâncias
O fumo, assim como o álcool (falaremos dele num próximo número), são venenos sistemáticos, quer dizer, afectam todos, ou quase todos, os órgãos. Todos sabemos qual o efeito do fumo sobre a pele – rugas, palidez, perda da elasticidade; as unhas são afectadas e os olhos também.
Mas vejamos outros efeitos do uso do tabaco.

Aparelho Digestivo 
O tabaco provoca lesões várias ao nível da boca – amarelecimento dos dentes, contracção das gengivas, mau hálito, inflamações da cavidade bucal e da língua, cáries, lesões pré-cancerosas e cancerosas (lábios e língua), mesmo entre os fumadores de cachimbo. Ao nível do estômago, surgem úlceras gástricas e duodenais, refluxo gastroesofágico, aumento da produção de ácido clorídrico e problemas no pâncreas.

Sistema Cardiovascular 
Numerosos estudos revelaram um aumento das cardiopatias isquémicas e de arteriosclerose entre os fumadores. Os fumadores correm um risco acrescentado de sofrer de angina de peito e de enfarte do miocárdio. As mulheres que fumam e que tomam anticonceptivos orais correm um risco de enfarte 5 a 10 vezes maior. A arteriosclerose é o resultado da acção da nicotina e de outras substâncias tóxicas sobre o metabolismo (aumento da concentração de gorduras no sangue e o seu depósito nas paredes das veias e artérias, com o consequente endurecimento e posterior obstrução). Nos membros inferiores, sobretudo, as artérias podem ser objecto de graves processos inflamatórios e de obstruções, que, nos casos mais graves, chegam à amputação do membro. A acção da nicotina, ao aumentar a aderência das plaquetas sanguíneas, aumenta muito o risco de trombose arterial e venosa profundas bem como de embolia pulmonar.

Aparelho Respiratório 
O fumo do tabaco provoca cancro do pulmão. Na verdade, o melhor cigarro é aquele que não se fuma. Uma pessoa que fuma um maço por dia, corre um risco 10 vezes maior do que um não fumador de contrair cancro das vias respiratórias. Se fumar dois maços, o risco aumenta exponencialmente (25 vezes). Noventa por cento das mortes por cancro de pulmão são devidos ao uso do tabaco, ou seja, são perfeitamente evitáveis. Ao diminuir, ou abandonar o hábito de fumar, reduz-se o risco. Ao fim de 10 anos sem tabaco, o risco é quase igual ao de um não fumador. Além disso, o fumo do tabaco também produz outros problemas respiratórios de tipo não tumoral, como sejam a bronquite crónica, o enfisema pulmonar e a insuficiência respiratória. É conhecida a tosse crónica, com expectoração, típica dos fumadores. A acção irritante das numerosas substâncias do fumo paralisa a acção dos cílios vibráteis

existentes nas paredes da traqueia e dos brônquios, impedindo assim que expulsem das vias aéreas as substâncias e resíduos agressivos para o organismo. Aumenta, assim, o risco de pneumonias, de traqueobronquites e de infecções das vias respiratórias.

Sistema Neuropsíquico
Como dissemos antes, a nicotina é um alcalóide que provoca dependência. O fumador depende do seu cigarro e do seu hábito de fumar. Quando não inala nicotina sente-se realmente mal. Não existe só um síndroma de dependência física, como na maioria das toxicodependências, mas também uma dependência emocional e psicológica. Muitas vezes, a deterioração neuropsíquica é consequência directa da deterioração cardiovascular. O tecido nervoso é extremamente delicado e a mínima diminuição da irrigação sanguínea pode provocar o seu desequilíbrio. Se houver uma paragem, ainda que momentânea, do fluxo sanguíneo nessa zona, produz-se a destruição de células nervosas, que não são substituídas. A insuficiência de irrigação no tecido nervoso pode provocar perdas de memória, transtornos de visão ou perda das funções anatómicas, chegando até à hemiplegia.

Fumar na Gravidez
A nicotina provoca a diminuição do fluxo sanguíneo para a placenta, fazendo com que o feto receba menos sangue, menos oxigénio e menos alimento. Esta situação, já de si muito perigosa, é ainda mais grave devido ao monóxido de carbono. Está provado que os bebés de mães que fumam mais de 10 cigarros por dia costumam nascer com entre 150g e 350g de peso inferior ao normal, mas, pior ainda, podem apresentar problemas motores e psíquicos. Além disso, o uso do tabaco durante a gravidez aumenta o risco de morte do feto ou do recém-nascido.

O Fumador Passivo
Todos assistimos ao “combate” entre os fumadores e não fumadores, cada um pugnando pelos seus “direitos”: uns exigindo a liberdade de fumar a seu bel-prazer, os outros exigindo respeito pela sua saúde e pela sua opção de não fumar. Há uma frase que define um pouco o que se passa: Quem fuma envenena-se a si e aos outros. A pessoa que não fuma e que vive com um fumador corre o risco de um lento processo de intoxicação. Calcula-se em 1% o número de mortes devidas à absorção passiva do fumo do tabaco. Imagine-se o efeito nocivo que pode ter sobre a saúde psíquica, emocional e física de uma criança o uso de tabaco dentro de um lar. Essa criança estará permanentemente sujeita a uma poluição evitável, que destruirá muitas das suas defesas e que a predisporá para, mais tarde, ser ela mesma uma fumadora.
A respiração do ar contaminado pelo fumo do tabaco pode agravar doenças já existentes, como são as doenças crónicas do pulmão e das coronárias.

Deixar de Fumar é Possível
O escritor Mark Twain dizia, com algum humor: “Deixar de fumar é a coisa mais fácil do mundo! Eu já o fiz dúzias de vezes.” Na verdade, sondagens feitas revelam que muitos fumadores (80%) gostariam de abandonar o hábito definitivamente.
Têm sido propostos vários métodos para ajudar os fumadores a deixar o hábito, mas, dado que os factores que levaram a pessoa a fumar diferem dos de outras pessoas, esses métodos podem não ser eficazes. Um fumador, a lutar sozinho contra o tabaco, facilmente fracassará, já que se encontra perante um inimigo que actua em várias frentes: através da atmosfera carregada de fumo no trabalho, da incompreensão dos companheiros, dos gestos estereotipados da vida diária (de que não nos damos conta), do café depois da refeição e até do coffee-break no escritório.
A pessoa que decide deixar de fumar tem que enfrentar, além da dependência fisiológica e psicológica, um constante bombardeamento social e (ainda que menor actualmente) publicitário.
Os métodos mais eficazes para ajudar a deixar de fumar são as terapias de grupo, dadas as numerosas possibilidades de apoio que oferecem aos fumadores mais viciados.

A técnica mais conhecida é a do chamado Plano de 5 Dias, actualmente chamado Plano de 8 Dias, que teve início na América em 1959 e que usa apenas meios naturais.
Geralmente, dois responsáveis dirigem o programa: um (médico, enfermeiro ou biólogo), ocupa-se da parte fisiológica, e outro da parte psicológica, que faz uma análise clara e completa das motivações que levaram ao hábito e das dependências criadas. Este método desenvolve a força de vontade do fumador, uma condição imprescindível para o êxito. No decorrer do programa são dadas informações no plano dietético, respiratório e do exercício físico.

Manuel Ferro

Redacção Saúde & Lar

AJUDA O TABACO NO STRESS?

O tabaco tem sido visto por muitos como uma ajuda para lidar com o stresse da vida. As sensações que se conseguem com o seu uso levam as pessoas a puxar, automaticamente, de um cigarro para responder a situações de stresse (um exame, um acidente, uma má notícia) criando-se um ciclo vicioso entre estas e o cigarro. No entanto, quanto mais investigação se realiza sobre os efeitos do tabaco no organismo, mais as conclusões apontam para outros problemas além daqueles que são, tipicamente, associados ao cigarro – como é o cancro do pulmão, da laringe, etc. – abrindo, assim, uma reflexão mais alargada sobre estes malefícios. A questão que se coloca aqui é perceber que, ao contrário da crença comum, o tabaco não ajuda a gerir o stresse. Antes pelo contrário, ele é uma fonte de perturbação para um organismo que está a braços com uma fonte de stresse. Como a vida na actualidade é marcadamente stressante, alguém doente do tabagismo estará em piores condições para gerir o stresse, do que alguém que não está afectado por essa doença. Queremos aqui ajudá-lo a curar-se dessa doença, facilitando a gestão do stresse da vida.

Luís S. Nunes

O stresse, propriamente dito, não é um acontecimento em si mesmo. Não é um cão a ladrar, um carro a buzinar, um bebé a chorar ou um pneu furado. Não é um patrão a ralhar ou uma zanga com o seu cônjuge. Em vez disso, o stresse depende da forma como responder a esses acontecimentos e situações. Qualquer acontecimento, situação, ou até pensamento, que possa despoletar o stresse é chamado “stressante”. E um stressante faz, normalmente, surgir emoções como preocupação, ansiedade, frustração, alarme, medo e raiva. O facto do stresse ser sentido ou não, depende da forma como abarcamos a situação. O que provoca stresse numa pessoa, poderá ter pouco ou nenhum efeito noutra.Do stresse aos stressores
    Embora muitas vezes associemos o stresse com acontecimentos importantes, como a morte ou um acidente, são normalmente as pequenas perturbações do dia-a-dia que levam, eventualmente, a problemas persistentes e dificuldades. Tem muito menor efeito a queda de um avião, acontecimento devastador, mas inesperado e repentino, do que a presença de algo que, durante anos, nos perturba, sem que sejamos capazes de interromper o seu efeito na nossa vida. Pense nesta lista de stressantes, tanto pequenos como grandes, que cada um de nós tem de enfrentar um dia após outro: um atacador partido, um cão a ladrar, torneiras a pingar, um cônjuge que ressona, uma agenda preenchida. Agora, em contraste, os stressantes maiores incluiriam um acidente grave, a perda de um emprego, problemas financeiros, um divórcio, uma doença dolorosa, e a morte de um ente querido ou amigo íntimo. Mas, lembre-se, o stresse depende da sua resposta, e a resposta depende da forma como compreende a situação. Por exemplo: para alguns, um grito agudo a meio da noite é uma irritação que precisa de ser anulada imediatamente; para outros, é uma doce melodia assinalando que um filho querido está a pedir amor. 
    Ambos são confrontados com a mesma situação, mas as suas respostas são diferentes! Portanto, a quantidade de stresse emocional também o é.
Foge ou fica e luta
  Isto deve-se ao facto de que qualquer stressante, quer menor, quer maior, põe o corpo em estado de alerta. Fisiologicamente, é chamado “resposta luta ou foge”, uma vez que prepara o indivíduo para ou ficar firme e lidar com o problema, ou escapar dele.
    Esta reacção de alarme causa profundas mudanças no corpo. Poderemos ficar pálidos à medida que a circulação sanguínea deixa a pele para se dirigir aos órgãos internos. A tensão arterial sobe e o coração bate mais forte. A respiração torna-se mais rápida e poderá ser irregular.
    A gordura e o colesterol no sangue sobem. Aumenta o açúcar no sangue. Os músculos tornam--se mais tensos. A coagulação do sangue torna-se mais rápida. Entretanto, as funções orgânicas que não são necessárias para lidar com a emergência abrandam ou podem até parar temporariamente, tais como a digestão de alimentos nos intestinos ou a eliminação de resíduos através dos rins.
    Portanto, o stresse deveria ser apenas uma resposta de emergência para preparar o corpo para alguma acção defensiva imediata numa situação grave. É claro que o stresse não deveria ser permitido como resposta apropriada para o choro de um bebé, um atacador que se parte, ou um cônjuge a aborrecer-nos.

Mas, lembre-se, o stresse depende da sua resposta, e a resposta depende da forma como compreende a situação. Por exemplo: para alguns, um grito agudo a meio da noite é uma irritação que precisa de ser anulada imediatamente; para outros, é uma doce melodia assinalando que um filho querido está a pedir amor.

A resposta fisiológica aos stressores
 Quando uma situação stressante termina, o corpo irá, gradualmente, voltar ao normal. A pressão sanguínea baixará. O coração e a respiração normalizarão a sua velocidade e ritmo. O colesterol e o açúcar no sangue voltarão aos seus níveis normais, e os músculos relaxar--se-ão e descansarão. Entretanto, os sistemas digestivo e urinário retomarão as suas responsabilidades.
    Mas, e se o acontecimento que despoletou o stresse continuar? O corpo tentará ajustar-se ou adaptar-se à situação. Contudo, isso poderá levar a alguns problemas físicos ou emocionais graves.
    A mulher acaba de saber que o marido teve um acidente grave e está agora na sala de emergências. A ansiedade daí resultante manterá a sua tensão arterial elevada, o seu coração a bater mais depressa, e o açúcar no seu sangue mais alto. Ficará mais tensa e poderá sentir um aperto no peito e um nó no estômago. Quanto tempo poderá o corpo permanecer neste estado de emergência? 
    Se a Maria souber que a vida do João está em perigo, a intensidade do seu stresse aumentará e ela só se poderá adaptar a ele durante um curto período de tempo.
    Por outro lado, se souber que o marido só tem pequenas escoriações, então só ocorrerão mudanças físicas moderadas, que ela poderá manter por um período mais longo.
    O nosso corpo tem uma tremenda capacidade de se ajustar às preocupações do dia-a-dia. Podemos manter esse estado de stresse durante dias, semanas ou, por vezes, até meses sem que se mostre, exteriormente, qualquer prova da luta interior.
    Uma pessoa em boa forma física, e emocionalmente estável, será muito mais capaz de aguentar pressões do que alguém que esteja emocionalmente instável e em má forma física.
    Há uma série de doenças que estão directamente relacionadas com o stresse. Algumas são mais susceptíveis de afligir aqueles que estão em má forma física, enquanto outras ocorrerão naqueles que estão emocionalmente instáveis. E, claro, quem estiver em má forma física e emocionalmente instável estará em piores condições.
    O stresse crónico poderá ter como resultado a hipertensão, úlceras de estômago, problemas cardiovasculares, artrite, alergias e, possivelmente, até cancro.


    Stresse, tabaco e úlceras de estômago
    O que acontece no caso de úlceras de estômago? Na parede do estômago encontram-se dois tipos de glândulas: uma produz ácido clorídrico, a outra, muco. O ácido clorídrico é necessário para a digestão dos alimentos, enquanto o muco forma uma barreira para evitar que o ácido corroa o revestimento do estômago. Normalmente, o fluxo dos dois é equilibrado.
    Contudo, durante os períodos de stresse, a produção de ácido clorídrico poderá aumentar. Na realidade, a quantidade poderá ser tão grande, que a barreira de muco será incapaz de dar a protecção adequada. Gradualmente, o ácido quebrará a barreira e atacará o revestimento do estômago, e formar-se-ão úlceras gástricas dolorosas.
    O stresse prolongado também poderá causar danos nas células que revestem as artérias, que são unidas por juntas. 
    O stresse poderá causar o enrugamento destes pontos de junção. Isso permite que as substâncias gordas do sangue se introduzam nos tecidos internos. As provas sugerem que isso poderá iniciar o acumular de depósitos de gordura, um estreitamento das artérias e um possível ataque cardíaco.
    Antes de avançarmos mais, vamos rever algumas das respostas físicas normalmente observadas no stresse:
    1. coagulação do sangue mais rápida
    2. aumento da tensão arterial
    3. aumento do colesterol no sangue
    4. aumento de úlceras pépticas, e
    5. enrugamento do revestimento das artérias.
    Os efeitos da nicotina obtidos por fumar apenas um cigarro são muito similares aos produzidos pelo stresse. Isso significa que a pessoa que fuma, enquanto está sob stresse, está em duplo perigo.
    Uma vez que a nicotina é tratada como um stressante no organismo, e provoca reacções de alarme, porque é que os fumadores acendem um cigarro quando estão sob condições de stresse e afirmam que fumar lhes proporciona um efeito sedativo, calmante?
    Já vimos anteriormente como a nicotina estimula os centros de recompensa do cérebro. Este estímulo desperta um sentimento de relaxe e talvez de contentamento.
    Contudo, este sentimento de contentamento não é mais do que uma “ilusão agradável”. A nicotina tem, na realidade, dois efeitos. Além da ilusão agradável, também desperta as suas próprias respostas ao stresse. Por isso, fumar, na verdade, não o ajuda.
    O stresse causado pela nicotina provoca danos físicos. A ilusão agradável do fumo é apenas um “remendo” por um momento – meramente um escape induzido quimicamente que, na realidade, enfraquece, em vez de fortalecer o fumador.
    Enquanto vivermos neste mundo, haverá alturas, muitas alturas, em que teremos situações stressantes. A questão é: “O que fazer nessas ocasiões?” Há melhores soluções do que acender um cigarro.
    Sabiamente, resolveu ver-se livre do tabaco e pode ter a certeza de que fez a escolha certa.


Contudo, este sentimento de contentamento não é mais do que uma “ilusão agradável”. A nicotina tem, na realidade, dois efeitos. Além da ilusão agradável, também desperta as suas próprias respostas ao stresse. 
Por isso, fumar, na verdade, não o ajuda.
 Perguntas e respostas para gerir o stresse,
Para ultrapassar, com sucesso, os acontecimentos stressantes, tem de, primeiro, reconhecer a situação. Em vez de dizer: “Porque é que isto me aconteceu?”, tome o controlo e diga a si próprio: “O que é que posso fazer?” Isso ajudá-lo-á a analisar melhor a situação e a escolher a resposta apropriada.
    Depois, pergunte-se: “Vale a pena fumar? E, se eu fumar, isso irá ajudar-me a lidar melhor com o problema, ou será pior a emenda que o soneto?”
    As emoções, originadas por acontecimentos stressantes, podem ser expressadas ou restringidas.
    Expressar a raiva, o ódio, a frustração ou o desânimo só reforçará estas emoções. Quanto mais se faz isso, mais fácil se torna deixar vir ao de cima as suas reacções stressantes.
    Por outro lado, reprimir estas emoções poderá causar uma perturbação física. Nesse caso, o que se deve fazer?
    Aqui estão algumas sugestões que ajudaram outras pessoas, que deixaram de fumar, a lidar com emoções perturbadoras durante situações de stresse:
Não reaja de imediato. Uma situação poderá não ser tão má como parece.
Não deixe que uma situação de stresse faça surgir, em si, sentimentos de: raiva, ódio, frustração, ciúmes, depressão, tristeza ou outro parecido.
Não culpe os outros.
Não culpe as circunstâncias. E não se culpe.
Em vez disso, gaste uns momentos a pensar nas coisas. Ao reagir de maneira calma a sua mente poderá analisar melhor o problema, será mais capaz de enfrentar a situação e é provável que venha a achar a melhor solução.
 Mas, faça o que fizer, não pegue num cigarro. Em vez disso, comece a pôr em prática os princípios de que falámos anteriormente.
Ao fazê-lo, sentirá que lidará melhor com situações irritantes, terá mais gosto pela vida e, tudo isso, como não-fumador.
S&L
adaptado Luís S. Nunes
Sociólogo da Medicina e da Saúde, 
Mestre em Saúde Pública