Vantagens em Deixar de Fumar


Após um acidente cardiovascular agudo, a suspensão do tabaco faz com que o risco de se ter novo acidente se reduza para 50%.
Estima-se que em Portugal, segundo dados da Fundação Portuguesa de Cardiologia, existam cerca de 23% de fumadores, ou seja que em cada 4 pessoas, 1 seja fumadora, com predominância no sexo masculino, embora esta relação se esteja a alterar pelo facto de as raparigas estarem a fumar mais que os rapazes, o que é extremamente preocupante, porque a associação pílula e tabaco traz  riscos vasculares muito acrescidos.
A maioria dos fumadores começa a fumar na adolescência, estimando-se que cerca de 80% dos fumadores comece a fumar antes dos 18 anos. Só nos EUA, segundo dados da American Heart Association (AHA), 3000 jovens começam a fumar diariamente e, destes, 1000 morrerão um dia de doença cardiovascular.
O tabagismo, considerado pela AHA como fazendo parte das toxicodependências (a par das outras dependências), foi associado durante longos anos ao prazer e à libertação do “eu”. Posteriormente, foi reconhecido, pela comunidade médica internacional, que era nefasto à saúde e foi associado às doenças pulmonares, como o cancro do Pulmão, a Bronquite Crónica e o Enfisema Pulmonar.
Sabe-se, já há vários anos, desde a publicação do Estudo Framingham na década de 70, que o tabagismo tem malefícios muito mais vastos, tendo uma relação directa com as doenças cardiovasculares. Qualquer fumador corrente, tem um risco muito mais acrescido de vir a ter problemas graves no seu sistema vascular, sendo que a Sociedade Europeia de Cardiologia considera “Fumador Corrente” qualquer pessoa que tenha fumado no último ano 1 ou mais cigarros por dia.
A Nicotina induz, por efeitos directos, um  aumento da Pressão Arterial e da Frequência Cardíaca e constrição das artérias. Mas a nicotina não é o único elemento nefasto no cigarro. Também o monóxido de carbono entra no sangue e reduz a quantidade de Oxigénio disponível para o coração e outras partes do corpo. O tabaco interfere ainda com a função das plaquetas (elementos do sangue que servem para parar uma hemorragia) e acelera a sua agregação, fazendo com que o sangue se torne mais espesso, e coagule mais facilmente.
Para além destes efeitos directos, o tabaco acelera os outros factores de risco que sabemos terem uma relação directa com a aterosclerose (as placas intravasculares): agrava a hipertensão arterial, baixa o colesterol “bom”.
Assim sendo, o tabagismo é um factor de aterosclerose, e é considerado por todas as Sociedades de Cardiologia um “factor  major” de doença cardiovascular, a par da Hipertensão arterial, da Diabetes, da Dislipidémia, da Obesidade. A probabilidade de se formarem placas de aterosclerose aumenta de forma exponencial à medida que os vários factores de risco vão estando associados. As artérias vão ficando progressivamente obstruídas, menos elásticas, e acabam por ocluir em territórios diversos,  como  o Cérebro, o Coração ou os Membros inferiores. As consequências poderão ser catastróficas: os indivíduos podem ficar paralisados, sem fala, ou terem que ser amputados dos seus membros.
Está hoje claramente comprovado que o Tabagismo está fortemente associado ao Enfarte Agudo do Miocárdio, à Morte Súbita de origem cardíaca e ao Acidente Vascular Cerebral (AVC).
O Registo Nacional dos Síndromas Coronários Agudos, realizado pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia, mostra que cerca de 31% dos Portugueses que têm um Enfarte Agudo do Miocárdio ou uma Angina Instável,  são fumadores activos (segundo o relatório de 2003).
O indivíduo que fumar 1 maço de cigarros /dia tem um risco duas vezes superior de ter um ataque cardíaco que um não fumador.
Um indivíduo que já tenha tido um acidente cardiovascular agudo e continue a fumar tem um risco muito mais acrescido de ter um novo acidente que um indivíduo que tenha parado de fumar, e tem  um risco muito maior deste novo acidente ser mais extenso e ter consequências mais graves que o primeiro.
Está claramente demonstrado que o parar de fumar reduz o risco vascular.
Independentemente do tempo que se fuma, o risco cardiovascular começa logo a baixar quando se pára de fumar. Um ano após a interrupção, o risco de ataque cardíaco reduz-se  para cerca de metade.
Após um acidente cardiovascular agudo, a suspensão do tabaco faz com que o risco de se ter novo acidente se reduza para 50%. Todavia, neste caso, só após 15 anos de interrupção o risco é comparável ao de um indivíduo que nunca fumou, tais são os malefícios do tabaco.
Não se deve esperar então por ter um ataque cardíaco ou um AVC para se decidir parar de fumar. Esta fase é já tardia. Deve-se parar de fumar enquanto se está a tempo. Deve-se parar de fumar agora!
Esta tarefa pode não ser fácil, os médicos sabem que não é. A par da dependência física da nicotina, existe toda uma vertente psicológica que é difícil de contornar. Para deixar de fumar é preciso muita motivação, muita força de vontade, e é este o factor decisivo. SL
 

Independentemente do tempo que se fuma, o risco cardiovascular começa logo a baixar quando se pára de fumar. Um ano após a interrupção, o risco de ataque cardíaco reduz-se  para cerca de metade.
Madalena Carvalho
Cardiologista

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